JB Online, 30.junho.2010
A falta de dinheiro não é mais um entrave para o acesso ao nível superior. Com o crédito universitário privado, alunos conseguem cursar a graduação e pós-graduação pagando valores mensais mais acessíveis. A escolha do financiamento como forma de pagamento do ensino superior tem se intensificado no Brasil e tende a crescer.
Levantamento do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), com base nos dados do Censo da Educação Superior do MEC, de 2007, aponta que apenas 6,9% dos alunos matriculados no ensino superior particular são beneficiados por algum programa de financiamento reembolsável. O benefício atinge apenas 250 mil alunos e, para 20% deles, o crédito é oferecido pelas próprias instituições em que estudam.
De olho no potencial deste mercado, a Ideal Invest criou em 2006 o programa Crédito Universitário PRAVALER, que permite financiar até 100% do curso no dobro de tempo de duração da faculdade. Um curso de quatro anos, por exemplo, pode ser pago em até oito, com juro acessível (que varia de zero a 1,89% a.m., de acordo com a modalidade e a instituição de ensino). Hoje, o programa é considerado o maior de crédito universitário privado do País e conta com 173 instituições parceiras, espalhadas em 14 Estados. O PRAVALER registra mais de 450 mil alunos interessados, isto é, alunos que, por meio do seu site, se cadastraram para usar o financiamento.
"Mesmo com programas de inclusão do governo federal, o setor privado exerce um papel importante na absorção da demanda de cursos superiores pela classe que não consegue custear os valores integrais das mensalidades", explica Carlos Furlan, diretor-executivo da Ideal Invest, gestora do PRAVALER. A análise do executivo se baseia no potencial do segmento: o mercado de crédito estudantil movimenta cerca de R$ 7 bilhões atualmente, considerando a carteira do Fies, do próprio PRAVALER e de outras instituições privadas, contudo seu potencial é muito maior quando olhamos o déficit de matrículas existente no ensino superior brasileiro.
Quando comparado com outras modalidades de crédito, como imobiliário ou financiamento de automóveis, o valor movimentado pelo segmento universitário ainda é incipiente. 'Mas é preciso atentar que há 10 anos o nicho de crédito educativo privado sequer existia. E o fato é que o dinheiro de fontes privadas é necessário para possibilitar o acesso de uma parcela maior de estudantes que ainda querem cursar a faculdade', complementa Furlan. Com a ampliação do crédito universitário, diversas famílias passam a ter sua primeira geração de universitários, pois é possível traçar um planejamento financeiro e saber que durante o curso outros gastos, como transporte, alimentação e material, poderão ser custeados com menos dificuldade.